Veterinária esclarece dúvidas sobre doação e transfusão de sangue em cachorros | Grande Minas

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    Branco e Helena estavam nas ruas quando foram resgatados por protetores de animais. O cachorrinho tinha câncer e sequer possuía forças para se levantar. A cadelinha tem leishmaniose e apresentava ferimentos causados por água fervente. Ambos necessitavam de transfusão de sangue e puderam contar com a solidariedade de tutores que disponibilizaram doadores.

    “Eles estavam em uma situação que a transfusão era extremamente necessária. Felizmente, encontramos doadores que nos ajudaram. Falar sobre esse assunto é muito importante para mobilizarmos os donos dos bichinhos saudáveis a ajudarem. Na maioria das vezes, encontrar um doador é muito difícil”, fala a protetora Cláudia Bacchi.

    Helena e Branco foram acolhidos pelo Casa da Dinda, que resgata animais das ruas e também abrigaram Helena e Branco. O projeto sobrevive graças ao amor e aos recursos financeiros das três fundadoras e das pessoas que abraçam a causa. Quem quiser ajudar pode entrar em contato pelas redes sociais ou pelo telefone (38) 99174 -2441.

    A veterinária Jacyara Pereira Cardoso explica que a transfusão é necessária em quadros graves de anemia.

    “A anemia pode ser decorrente de uma má alimentação (anemia nutricional), de algum trauma que desencadeie uma perda perda de sangue (hipovolemia) ou alguma patologia que leve a destruição das células sanguíneas. Essa patologia pode ser de origem infecciosa, como a erliquiose ou a leishmaniose ou de origem autoimune, como a anemia hemolítica imunomediada.”

    Quem doou sangue para Helena foi a Alice, a golden retriever da Thais Castro.

    “É questão de empatia. Da mesma forma que posso salvar vidas de cachorros, um dia algum poderá salvar a vida das minhas”, define a tutora, que também tem outra golden, a Mel.

    Mel e Alice com Thais — Foto: Thais Castro / Arquivo Pessoal

    Na lógica dos bancos de sangue de humanos, Thais defende a criação dos que sejam voltados para os bichinhos, garantindo a assistência necessária e a rapidez que os quadros de saúde exigem, o que pode ser fundamental para salvar as vidas dos pets.

    “As pessoas não doam por achar que os cachorros podem correr algum risco, mas o que acontece, na verdade, é que elas não têm conhecimento sobre o processo”, diz.

    A veterinária esclarece que o doador precisa:

    • Ser adulto e dócil
    • Com idade entre um e sete anos
    • Ter pelo menos 25 quilos
    • Ser saudável, vacinado, vermifugado e não pode estar usando medicação
    • Fazer controle periódico de ectoparasitas, além de exames para babesiose, leishmaniose, erliquiose, brucelose e anaplasmose (de acordo com a exposição à fatores de risco ou região onde residam)
    • Se for fêmea, não pode estar no cio, gestante ou amamentando

    Antes de se fazer a coleta do sangue para a doação, há uma série de procedimentos que são feitos, entre eles, está a identificação do tipo sanguíneo, que pode ser: DEA 1.1, DEA 1.2, DEA 3, DEA 4, DEA 5 e DEA 7. Outros dois grupos são reconhecidos, DEA 6 e DEA 8, mas como não possuem um antissoro, não são estudados.

    Veterinária explica sobre os cuidados que devem ser tomados com doares e receptores — Foto: Jacyara Cardoso / Arquivo pessoal

    “O animal é submetido a exames físicos (monitoramento de temperatura, pressão arterial e ausculta cardiopulmonar) e laboratoriais (hemograma completo e perfil bioquímico renal e hepático). Para realização da coleta, o doador deve estar em jejum de oito horas. Deve ser realizada antissepsia adequada do local da coleta (veia jugular ou cefálica), realização de pressão no local da coleta por cinco minutos para evitar sangramentos e monitoração do doador durante 15 minutos após a doação”.

    Depois que o processo for finalizado, o doador deve receber alimento e água. A orientação é evitar atividades físicas no dia da doação.

    Jacyara Pereira Cardoso explica ainda que antes de se iniciar a transfusão é preciso saber se o receptor precisa do sangue total ou de algum componente específico. Outros aspectos precisam ser considerados também:

    “O animal deve ser mantido em fluidoterapia com soro fisiológico (NaCl 0,9%). Deve ser feito um cálculo, com base no hemograma do doador e receptor, para que seja identificada a quantidade de sangue que o paciente deve receber. O paciente deve ser monitorado a cada 20 minutos durante a transfusão, sendo avaliada a temperatura corporal, frequência cardíaca e respiratória. A qualquer sinal de reação, a transfusão deve ser interrompida imediatamente”

    Depois da transfusão, o receptor precisa ser monitorado por um período de 12 a 24 horas.

    “A transfusão de sangue é um recurso indispensável para que se possa salvar a vida de alguns animais. É um procedimento pouco difundido em algumas regiões. Ainda existe dificuldade em encontrar doadores devido ao receio dos tutores”, complementa a veterinária.

    Helena durante transfusão de sangue — Foto: Casa da Dinda / Divulgação



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