Instituto alerta que plástico representa quase 50% do microlixo coletado nas praias de Santos | Santos e Região

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    Uma pesquisa realizada pelo Instituto Mar Azul revelou que o plástico representa quase 50% dos lixos recolhidos no último ano em mutirões feitos nas praias de Santos, no litoral de São Paulo. O número desse material é correspondente a 82.639 fragmentos, do total de 173.488 recolhidos durante o Projeto Microlixo do instituto. Esses resíduos podem impactar direta e indiretamente na vida humana e nos organismos marinhos.

    O Mar Azul chegou a esse número após realizar 24 mutirões para retirar lixos descartados irregularmente na faixa de areia e calçadão, em toda a extensão das praias, do Aquário ao limite entre os municípios de Santos e São Vicente. As ações são realizadas por centenas de voluntários e divididas por áreas, ao longo de todo o ano.

    O plástico é o principal material encontrado nas coletas do Projeto Microlixo. Logo abaixo aparecem as bitucas de cigarro, com 61.091 fragmentos, que representam 35% do total. Em seguida vêm as hastes flexiveis (2.715 ou 2%), metais diversos (2.298 ou 1%) e fragmentos de papel (2.055 ou 1%). Outros itens somam 22.690 ou 13%, completando mais de 173 mil fragmentos recolhidos.

    O biólogo doutor em oceanografia e professor da Universidade Federal de São Paulo, Ítalo Braga de Castro, informou que o acúmulo desse lixo pode gerar danos ao meio ambiente, além de riscos para a saúde. Entre os itens destacados por ele estão os mais encontrados nas praias, como o plásticos perfurocortantes, recipientes utilizados para armazenamento de drogas e bitucas de cigarro.

    “No caso particular das bitucas, vocês têm uma pequena bombinha química, um artefato que acumula grandes quantidades de substâncias químicas perigosas, contaminantes e poluentes em potencial e que são lançados no mar. Tudo isso acaba redundando em riscos eminentes à saúde e também uma redução da satisfação de frequentar as praias, podendo afetar a nossa economia que é tão baseada e dependente do turismo”, finaliza.

    Ele ainda aponta que no cigarro há 7 mil substâncias químicas e que boa parte fica retida no filtro para que o fumante não inale. Essas substâncias ficam presas ao filtro e, quando essa bituca é descartada no ambiente, pode provocar uma série de impactos graves para os organismos marinhos, pois é uma veiculo de muitos contaminantes, conforme relata Ítalo.

    O trabalho do instituto começou em 2013, quando eles resolveram criar um projeto voltado para a recolha do microlixo. “Isso veio para preencher uma lacuna que a gente tinha, pois já são realizados projetos de coleta de macrolixo. Esse lixo não recolhido acaba impactando no meio ambiente, na balneabilidade da água e na saúde humana”, explica o diretor presidente o Instituto, Hailton Santos.

    Segundo ele, além dos voluntários, a Mar Azul também recebe a ajuda de alunos de escolas do município, nas quais eles realizam trabalhos de conscientização. “Nós temos um calendário, onde temos uma data por mês para fazer os mutirões. A gente atende escolas e levamos alunos para as praias para fazer a ação também”, finaliza.



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