Com a pandemia e busca por alimentos saudáveis, produtores da agricultura familiar relatam estar conseguindo manter vendas | Bahia

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Com a pandemia da Covid-19, e as consequências que ela trouxe, muitos negócios começaram a contabilizar prejuízos no país. Produtores da agricultura familiar da Bahia relatam, entretanto, que apesar do medo, se mantiveram trabalhando, buscaram soluções alternativas e conseguiram manter e até aumentar as vendas.

A Bahia é o estado do nordeste com maior número de produtores da agricultura familiar: mais de 600 mil famílias.

É o caso da família de Luís Sérgio Carneiro, no povoado de Pedrinhas, na cidade de Riachão do Jacuípe, a cerca de 200 km. Ele conta que as vendas dos produtos cultivados na propriedade, todos orgânicos, aumentaram após a pandemia.

“Temos o máximo de cuidado. Ao ir à cidade, temos que ir de máscaras; na feirinha, as barracas têm distância de dois metros. E nesse período as vendagens aumentaram, porque a gente tem um cuidado no modo que leva as coisas, tudo embalado, e o povo está se conscientizando que os alimentos que a gente leva para a feirinha é sem produto nenhum. É tudo orgânico. O povo se conscientizou que tem que comer produto natural”, falou.

Luís Sérgio conta que vendas aumentaram após a pandemia — Foto: Reprodução/TV Bahia

Uma família que produz abacaxi em Itaberaba, na região da Chapada Diamantina, conseguiu vender a safra na hora da colheita, através de uma cooperativa da região.

“Temos algumas dificuldades, porque a gente é associado a duas cooperativas: a dos produtores de abacaxi de Itaberaba, que está conseguindo comercializar; e a Ser do Sertão, de Pintadas, que está encontrando muita dificuldade para comercializar seus frutos, porque é proveniente de merenda escolar. E como as escolas estão paradas, não está conseguindo vender os produtos. Mas enfim, graças a Deus, por mais que tivéssemos muito medo dessa doença, que todo mundo teve medo, conseguimos trabalhar, com dificuldade sim, mas com a esperança de que tudo vai dar certo, tudo vai melhorar e que Deus vai nos abençoar para que isso passe logo, para que a gente possa trabalhar sem cisma”, contou Jonilton Teixeira.

O criador de caprinos Josenilton Oliveira disse que todos ficaram com medo, após a chegada da pandemia, mas que adotaram todas as medidas de segurança e seguiram trabalhando.

“Todos nós tivemos esse medo, né? Porem nós, para nos livrar desse vírus e também livrar nossa família, viemos tendo as medidas de segurança, higienização correta, usando a mascara, ficando em casa, saindo só pra atividades essenciais”, falou.

Família que produz abacaxi conseguiu vender produção no dia da colheita — Foto: Reprodução/TV Bahia

No início da pandemia, o frigorífico que Josenilton e outros produtores na região do semiárido baiano usavam para vender os animais foi fechado e reabriu no último mês de julho, com abate reduzido em menos de 50%: antes eram 1,2 mil cabeças por mês, agora são menos de 500.

Julita Trintade, presidente da cooperativa que atua no local, conta que, apesar da pandemia, estão conseguindo se manter.

“Estamos há quatro meses nessa batalha, e estamos conseguindo manter a nossa indústria funcionando minimamente, e atendendo minimamente nossos fornecedores. A gente está conseguindo sobreviver. Não esta sendo fácil, mas nos estamos conseguindo passar por essa pandemia, passar por essa dificuldade, construindo uma rede de articulação que permite que a gente continue nosso trabalho de forma organizada e muito equilibrada”, falou.

Fábrica fechou no início da pandemia e reabriu em julho — Foto: Reprodução/TV Bahia

Nem todos, entretanto, estão conseguindo se readaptar. É o caso da família de Heleno e dona Azenilda, em Riachão do Jacuípe. Eles colheram os produtos, mas não quiserem arriscar e não saíram da roça pra vender na cidade, como vinham fazendo.

“Toda semana eu ia e levava vários produtos: abóbora, melancia. Tudo que eu tinha levava, e vendia tudo. Depois da pandemia, parou tudo. Os fregueses não vêm buscar, não posso ir levar. Tem mais de 90 dias que não vou na cidade, e tudo parou. Prejuízo. Para não perder, a gente dá aos porcos, e às vezes minha filha vem buscar quando pode. Prejuízo continua”, disse Azenilda Cordeiro.

Agricultura familiar = produção sustentável

Segundo o agrônomo Miguel Calmon, consultor da WRI Brasil, ong internacional que atua em projetos ambientais, produzir em harmonia com a natureza é seguir uma das mais importantes orientações da agricultura familiar.

“É importante que os governos, setor privado e a sociedade como um todo enxergue o papel importante da agricultura familiar e, com isso, promova políticas públicas e de incentivos que fortaleçam cada vez mais a agricultura familiar no nosso Brasil e que ajude a levar essas experiências exitosas para outros países que buscam o caminho em direção a uma economia de baixo carbono, uma economia mais sustentável, mais saudável, que seja benéfico para toda a sociedade do Brasil e do mundo”, falou.

Eduardo Emídio instalou internet na propriedade e passou a receber pedidos online — Foto: Reprodução/TV Bahia

É o caso de Eduardo Emídio, que além de ter uma produção diversificada e sustentável nos 50 hectares de terra que possui, inovou ao aceitar pedidos online. Ele tem de tudo um pouco: frutas, hortaliças, legumes, leite.

Eduardo conta que a renda aumentou depois que ele instalou internet na propriedade.

“Nossos produtos são vendidos principalmente pela internet. Nossos clientes ligam para nós, fazem os pedidos, e a gente marca o horário para eles virem buscar na propriedade. Isso facilita também pois, às vezes, eles pedem três ou quatro produtos, mas chegando aqui encontram outros produtos e, com isso, acabam levando mais do que fizeram no pedido”, conta Eduardo, que não precisou derrubar nenhuma árvore para plantar e alimentar os animais. Pelo contrário, ampliou sua área de mata.

Neidson Batista, diretor do Movimento de Organização Comunitária — Foto: Reprodução/TV Bahia

Para Neidson Batista, diretor do Movimento de Organização Comunitária (MOC), entidade que há 52 anos se dedica a projetos que estimulam a produção sustentável e orienta comunidades pobres do campo, a agricultura familiar é o caminho para vencer a crise.

“Ela produz com as pessoas trabalhando numa dimensão grande de espaçamento. Então, a agricultura familiar está aí nos dizendo que é por ela, e principalmente pela perspectiva da agricultura familiar agroecológica, que nós vamos encontrar estradas de superar a perspectiva do vírus e de superar a perspectiva do desmantelo e do desprezo que hoje se tem em relação à agricultura familiar. A agricultura familiar é o espaço onde a vida floresce”, afirma.

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