Cirurgiã plástica alerta sobre os cuidados com a ‘orelha de couve-flor’ e como proceder caso sofra a lesão na academia

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Durante muito anos, ter a orelha estourada nas artes marciais, em especial no Jiu-Jitsu, era sinônimo de ser casca-grossa. O hematoma auricular, popularmente conhecido como “orelha de couve-flor”, sempre foi uma marca registrada dos lutadores. Mas o tempo passou, o esporte cresceu e a maioria dos praticantes já não busca a academia para se tornar um competidor, e sim para ter qualidade de vida.

Por isso, ter a orelha deformada não faz sentido para a maioria destes praticantes. Mas os lutadores profissionais também já estão passando a se preocupar mais com a estética. Se antes eles deixavam a lesão calcificar ou faziam apenas uma simples punção ainda na academia, hoje muitos recorrem a procedimentos estéticos em busca da reparação total da lesão.

As dúvidas, e muitas vezes a falta de informação em relação à lesão, podem prejudicar quem busca manter a orelha sem deformidade. Além da parte estética, a lesão pode vir a trazer problemas auditivos caso o paciente sofra outros traumas na região e não procure a ajuda de um especialista. É o que explica a cirurgiã plástica Maieve Corralo na entrevista a seguir. A Dra. detalhou quais os procedimentos corretos a se seguir, falou sobre tempo de recuperação em caso de drenagem e de cirurgia, e explicou como funciona o processo de reconstrução de quem já deixou a orelha calcificar.

Confira:

– O hematoma auricular, popularmente conhecido como “orelha de couve-flor”, é bem comum entre os praticantes de artes marciais. Através da cirurgia plástica é possível fazer com que a orelha volte ao seu estado inicial pré-lesão?

O tratamento não é simples. Não é possível retornar ao estado semelhante ao pré-hematoma. Mas para alcançar um melhor resultado o lutador precisa, assim que ocorrer a lesão, procurar uma clínica especializada de cirurgia plástica para drenar esse hematoma e, através de curativos compressivos, moldar, fazendo com que a pele grude novamente na cartilagem. Em casos mais antigos, em que o hematoma calcificou, e que dá aquele aspecto clássico de orelha em couve-flor, é preciso de raspas especiais para poder tentar retirar uma parte desta calcificação e, através de pontos atrás da orelha, conseguimos voltar a trazer as curvinhas naturais da orelha. Mas essa orelha sempre vai ser um pouco mais espessa do que a orelha contralateral, mas os resultados são bem bacanas.

– É muito comum os atletas drenarem a orelha na academia logo após sofrerem a lesão. Esse procedimento é correto?

A drenagem logo após o trauma é essencial para evitar sequelas, mas não pode ser feito na academia. É preciso um local estéril, com material estéril e ambiente asséptico. E academia é um local completamente contaminado. Então, não é o melhor local. O ideal é procurar um consultório médico ou um ambiente hospitalar ou ambulatorial. Geralmente em um consultório de cirurgia plástica essa drenagem pode ser feita de maneira adequada. Evitando assim complicações que causam uma deformidade muito maior do que a calcificação do hematoma, que é uma infecção do pavilhão auricular. E essa infecção pode fazer com que toda a cartilagem seja absorvida e a orelha fique completamente sem forma e de difícil reconstrução. Uma orelha que teve cartilagem destruída por uma infecção, normalmente precisa ser reconstruída retirando cartilagem da costela. E os resultados não ficam visualmente bacanas. Os melhores resultados estéticos são arrancar a orelha e implantar uma orelha de borracha. Então, é muito perigoso fazer uma drenagem de hematoma auricular em um ambiente qualquer.

– O que o paciente precisa fazer assim que sofre esse tipo de lesão? Qual é o melhor procedimento?

No momento que o paciente sofre o trauma na orelha, quando ele percebe que aumentou o volume, ele precisa procurar uma clínica de cirurgia plástica ou uma emergência de algum hospital que tenha um cirurgião de plantão. O ideal é que o paciente tenha um cirurgião de referência para conseguir encaixar essa drenagem no mesmo dia ou no máximo no dia seguinte a lesão. Inclusive, em nosso Instituto nós temos essa possibilidade de encaixe para essa drenagem. Então, é preciso drenar de maneira asséptica no momento da lesão no dia ou no máximo no dia seguinte. É colocado uma atadura, uma faixa compressiva, com os curativos especiais para que essa pele grude novamente na cartilagem e mantenha o formato com os contornos e dobras naturais da orelha.

– Quando um atleta faz a drenagem, geralmente em uma semana ele já está de volta aos treinos. No caso de uma cirurgia plástica, qual é o tempo de recuperação?

No caso de ser realizado uma drenagem, depende do tamanho do hematoma, mas geralmente entre quatro e sete dias já pode retornar aos treinos. O ideal é usar um protetor auricular neste período, porque a pele, os tecidos ainda estarão com o edema, inchados. Mas não tem restrição de retorno as atividades após uma semana. Agora, nos casos de cirurgia plástica a gente precisa que o atleta fique pelo menos 30 dias afastados de suas atividades que possam causar trauma na região.

– Caso a pessoa decida não fazer a cirurgia, quais os problemas ela pode enfrentar com o passar do tempo?

O problema de não corrigir a orelha de couve-flor, ou não drenar os hematomas, é que muitas vezes esses hematomas vão se acumulando e calcificando, podendo ocluir o canal auditivo, diminuindo assim a audição. Mas, em geral, os danos são mais estéticos e, quanto maior o tempo depois do trauma, mais calcificado e mais difícil é a recuperação da forma anatômica da orelha. A drenagem é sempre o melhor caminho, desde que seja feito em ambiente asséptico, porque se não pode ser um verdadeiro desastre. E a cirurgia o mais precoce possível, porque é muito mais fácil de você raspar um hematoma que não seja tão antigo e que está completamente calcificado. Quando está calcificado, praticamente precisamos arrancar pedaços da cartilagem para conseguir dar formato novamente para esta orelha.



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