Bela Gil fala sobre necessidade de reforma agrária e alimentação para todos

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E, Bela, você acha que pensar em alimentação saudável no Brasil é um ato político?

Sim, eu acho total. Alimentação é um ato político assim como qualquer hábito de consumo. Quando a gente fala que viver é um ato político, isso significa que todas as nossas escolhas são atos políticos. Qualquer escolha de consumo que a gente fizer é um ato político. A alimentação talvez seja um dos mais importantes, porque a gente deveria comer três vezes por dia.

Você pode realmente mudar o mundo através da alimentação por causa da eficácia que a escolha alimentar tem no planeta. Eu enxergo isso como um ato politico, porque se quero um alimento orgânico, eu sei que eu estou investindo na minha saúde, mas também estou protegendo a terra, estou escolhendo não envenenar o solo, estou escolhendo também proteger a saúde daquele agricultor, sabe? Estou investindo numa economia mais regional?

Acho que é muito importante as pessoas terem essa noção de que, sim, a suas escolhas alimentares vão afetar o futuro da humanidade. E sempre que a gente faz essa escolha, também é para ajudar outros que não tem essa opção nesse momento. Porque comer é um ato político só para quem pode escolher o que comer.

Na live do Mano Brown com o Drauzio Varella, o rapper falou muito sobre como o pobre come muito mal, como empurram muito veneno para a mesa do pobre. Esse histórico que o Brasil tem de manter parte da população na miséria também afeta o jeito que as pessoas enxergam alimentação?

Acho que sim. Completamente. As populações mais vulneráveis vão comer o que têm. Assim como a questão do trabalho. A gente tem várias pessoas fazendo serviços em situação análoga à escravidão, por exemplo. Gente que está em situações desumanas e absurdas, mas por quê? Porque é o que tem. Se você tivesse opção de fazer aquilo que você ama, de trabalhar com aquilo que você gosta, você não estaria fazendo outra coisa. Mas você não tem opção.

A nossa sociedade, ela quer esmagar as pessoas. Quer deixá-las sem escolha, sem a verdadeira liberdade. A gente vive em uma sociedade que explora uma grande parcela da população para enriquecer uma pequena parcela. Então, obviamente muitas pessoas vão comer veneno sem questionar, porque não tem opção de comer outras coisas. E isso é muito triste. O meu trabalho, ter esse espaço, por exemplo, para escrever artigos, ter essa coluna nova aqui é muito para chamar a atenção do público para isso, de que a gente precisa democratizar o acesso a alimentos.

As pessoas precisam ter opção de escolha. Elas precisam ter o direito de escolher não comer veneno. Hoje, isso não é uma realidade no Brasil. As pessoas trabalham em péssimas condições porque é o que tem. E vão trabalhar para sobreviver, porque se não trabalhar não vão ter comida na mesa.

Alimentação para essas pessoas sempre foi encarada como uma necessidade, né? Você come para não passar fome e pronto. Não foi ensinado o prazer de se alimentar, a importância de pensar em um prato equilibrado e natural, correto?

Exatamente. Muita gente fala que meu programa, meu conteúdo tem uma pegada elitista. Dizem que falo de coisas que não são realidade para todo mundo. E eu acho que isso depende muito. Até porque eu falo muito de produtos regionais que obviamente se você mora em uma região do Brasil não vai ter, mas em outra você vai ter. É um programa que faço para o Brasil inteiro? Eu não vou deixar de incentivar o consumo de orgânico, de alimentos saudáveis porque uma boa parcela da população não consegue hoje. Não, pelo contrário, eu quero que essa parcela saiba que eles precisam ter acesso a esse direito também. Quero levar conhecimento para eles. Mas, obviamente, eu sei que conhecimento não basta.

Por isso, a gente precisa trabalhar em conjunto, a gente precisa de bons deputados passando boas leis e por aí vai. Mas o que eu posso fazer para ajudar é levar conhecimento para as pessoas. Mostrar que essas coisas existem. Então, nunca vou deixar de falar sobre a importância de alimentos orgânicos e da alimentação saudável. Eu sei que não é uma realidade para todo mundo, mas estou lutando para que seja, sabe?



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